RESUMOS
RESUMOS
Conferências de abertura
Medo, mobilização e propaganda: o impacto mediático e a receção na diáspora dos EUA das
primeiras eleições democráticas em Portugal
Alberto Pena Rodríguez
Universidade de Vigo & Universidade de Coimbra/CEIS20
Resumo
Após a Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, o processo de transição política em Portugal
tornou-se um assunto de enorme interesse político e informativo, não só pelas suas consequências
para o futuro do país ibérico, mas também pelas suas relevantes implicações na geopolítica
internacional. Durante meses, o Processo Revolucionário português ocupou a agenda informativa
dos meios de comunicação internacionais, que acompanharam com atenção a evolução dos
acontecimentos, especialmente nos meses que antecederam as eleições constituintes de 25 de abril
de 1975. Neste contexto, os imigrantes portugueses nos Estados Unidos viveram com inquietação e
agitação o processo revolucionário, estimulados por um dos meios de comunicação de referência na
colónia da Nova Inglaterra, o semanário Portuguese Times, que tentou liderar um movimento de
oposição ao comunismo e a favor da democracia em Portugal entre os portugueses na diáspora. Esta
comunicação, de caráter qualitativo, tem como objetivo analisar a recepção deste acontecemento
icónico e extraordinário através da linha editorial do jornal durante os três meses que antecederam a
votação, assim como descrever o impato na comunidade luso-americana da sua campanha de
propaganda, que teve reflexo em várias ações políticas e mediáticas significativas que mobilizaram
milhares de imigrantes mediante um apelo ao medo à instauração de uma ditadura comunista em
Portugal.
Palavras-chave
Revolução portuguesa, Estados Unidos, eleições constituintes, propaganda, diáspora.
Recuperar la memoria de los periodistas invisibles – el caso de los periodistas y el franquismo
Concha Langa-Nuño
Universidad de Sevilla
Resumo
A lo largo de la Historia muchos periodistas, famosos y respetados en su época, fueron relegados al
olvido por diferentes motivos. Uno de ellos, por desgracia frecuente, procede de los cambios
políticos que hicieron que, el cambio de régimen en un país terminara echando de la carrera
periodística o de la memoria histórica a grandes profesionales. En el caso español es algo frecuente
en la edad contemporánea. A veces el cambio de régimen supuso tener que abandonar el país y
marchar al exilio, otras veces la persecución política acabó literalmente con sus vidas. En otros
casos, se vieron obligados al silencio perdiendo sus trabajos.
En la comunicación que presentamos proponemos el estudio de algunos casos de periodistas
republicanos que fueron perseguidos y expulsados de la profesión periodística tras el triunfo del
golpe de Estado y de la guerra civil posterior que llevó a la consolidación de la dictadura franquista.
También, queremos reivindicar la memoria de periodistas que apoyaron al régimen y que, una vez
acabado este, han sido relegados por su ideología, aunque algunos de ellos fueran profesionales
brillantes.
História da Comunicação e do Jornalismo: em torno do tempo presente
Marialva Carlos Barbosa
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisadora do CNPq. Cientista de Nosso Estado da
FAPERJ.
Resumo
A comunicação tem por objetivo apresentar pressupostos teóricos e metodológicos de uma história
da imprensa que envolva processos localizados no tempo presente, que, no caso, coincide com o
próprio tempo de vida do pesquisador. Na história que propomos, tomamos como proposição
central o modelo dialético proposto por Benjamin (2009), renunciando de antemão a uma história
orientada do passado para o futuro, segundo o modelo da “linha do progresso”. São os jogos
pluridimensionais, percebendo que os objetos do passado entram em colisão com sua “história
anterior” e com a prospecção de uma “história ulterior”, que devem ser considerados. Assim, o
modelo dialético daria conta de uma experiência do tempo que recusa qualquer ideia de progresso
(e redenção) existente no possível do devir. O historiador deve, a partir desta proposição, abandonar
a linearidade de tempos que se sucedem, adequar seus modelos de análise às descontinuidades e ler
também a “contrapelo”, como enfatiza Benjamin, a presunção de anacronismo. As épocas não são
homogêneas, o passado não jaz inerte imutável, sendo sempre algo que nos surpreende como um
trabalho de relembrança. O passado não é um fato objetivo, mas um fato de memória. E história
existe, sempre, e é permanentemente reconstruída a partir do presente. Como fazer, então, uma
história do jornalismo no qual as interferências da memória do próprio pesquisador embaralham
tempos? A partir desta questão central, objetiva-se mostrar também como o memorável se torna
fundamento teórico central na construção de uma história do jornalismo que estamos nomeando
como do tempo presente.
História oral nos estudos de comunicação e jornalismo
Notícias- acontecimento e acontecimentos-notícia
Júlia Leitão de Barros
Escola Superior de Comunicação Social- Instituto Politécnico de Lisboa
Resumo
O projeto MemNews, inédito e exploratório, optou pela metodologia da História oral, de recolha de
memória de portugueses, com distintas experiências de receção mediática, assegurando a
diversidade de género, de meio social, idade e localização geográfica. Com base numa amostra de
17 indivíduos, entrevistados no âmbito deste projeto, pretendo refletir sobre o terreno difícil da
recuperação de memórias sobre a receção de notícias, salientando a constante sobreposição do
conceito de notícia e acontecimento.
A reflexão teórico-prática em torno da história oral, dos últimos 30 anos, tornou claro que a
memória não é uma coisa em si mesma, um depósito de factos, que está disponível a quem deseja
aceder-lhe, não é um saber, uma informação neutra, acima de conflitos, de divergências, de medos,
de esperanças, que pautam o presente, individual e coletivo. A construção de memória do passado é
um processo sempre atual, com “um elo vivido no eterno presente” (Nora,1993, p. 9). Assumir que
os nossos testemunhos integram individualmente, pela sua trajetória de vida particular, um
intrincado conjunto de memórias que resultam, quer da sobreposição de informações e
conhecimentos, onde intervêm vários agentes (entre os quais se destaca o jornalismo), quer
diferentes temporalidades, é assunto que pretendo ponderar.
Palavras-chave
Notícias, Acontecimento, Jornalismo, Memória Oral, Estudos de Receção
Do encontro da história oral com os estudos de receção à memória das notícias na audiência
José Ricardo Carvalheiro
Universidade da Beira Interior & LabCom
jose.carvalheiro@labcom.ubi.pt
Resumo
O encontro entre a história oral e os estudos sobre receção ou audiências dos media é tardio na
academia, começando a concretizar-se só quando ambas as áreas atingem uma certa maturação no
final do século XX. Três décadas depois é interessante refletir sobre as premissas e condições desse
encontro, tentando perceber o que ele nos diz acerca da adequação da história oral como método
para investigar a receção. Qual a sua capacidade para reconstituir e compreender o passado das
audiências? E de que modo as questões da memória se integram neste objeto de estudo?
Este texto tem como propósito ligar estas reflexões ao projeto MemNews para ponderar também
sobre a pesquisa histórica especificamente dedicada à receção dos media informativos. O que
podemos saber sobre as práticas efetivas das audiências de notícias no passado e sobre a mediação
da memória no campo particular da receção noticiosa? E, ao partirmos do ponto de vista das
audiências, que reflexões nos são suscitadas sobre as notícias enquanto dispositivos de memória?
Palavras-chave
História oral; estudos de receção; media noticiosos; memória
A memória como fonte para a história do jornalismo: um estudo sobre os jornalistas na
ditadura e na revolução
Pedro Marques Gomes
Escola Superior de Comunicação Social & LIACOM
Resumo
O estudo das práticas jornalísticas constitui um terreno fértil de reflexão em torno dos desafios e
obstáculos à transição e institucionalização da democracia portuguesa. Ao mesmo tempo, contribui
para um melhor conhecimento sobre a profissão de jornalista durante este período, evidenciando as
características principais de uma profissão em (re)construção, mas também as singularidades de
algumas trajetórias.
Esta comunicação tem como ponto de partida a recolha de memórias de jornalistas, realizada no
âmbito do “AMOPC - Arquivo de Memória Oral das Profissões da Comunicação”, e procura
analisá-las, apresentando um quadro interpretativo no que respeita ao percurso dos jornalistas (antes
e durante o período revolucionário), às suas preocupações, bem como aos assuntos relacionados
com as práticas, as rotinas e os saberes jornalísticos que têm maior visibilidade ou que estão
ausentes das entrevistas. Analisam-se as continuidades, mas também as ruturas presentes nos
discursos dos jornalistas, no que respeita às memórias do exercício da profissão em ditadura e após
o seu derrube.
O corpus de análise é constituído por 20 entrevistas de vida a jornalistas, realizadas por diferentes
investigadores a partir de um guião-mínimo comum e disponibilizadas no arquivo online do
AMOPC.
Ao analisarmos estas entrevistas, pretendemos ainda discutir e problematizar a recolha de
testemunhos orais, o seu contributo enquanto fonte para a História dos jornalistas e do jornalismo e
as formas da sua disponibilização pública enquanto trabalho cívico de preservação da memória de
uma profissão fundamental do mundo contemporâneo.
Palavras-chave
Memórias; Jornalistas; Ditadura; Revolução.
Sessão 1.1
Entrevistas: diálogos de uma escrita comunicacional com documentação memorável numa
história do jornalismo
Marialva Carlos Barbosa
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisadora do CNPq. Cientista de Nosso Estado da
FAPERJ.
Resumo
A comunicação mostra a importância das entrevistas para a reconstrução de uma história do
jornalismo, ainda que no processo de documentação do memorável questões e distorções devam ser
consideradas do ponto de vista metodológico. A memória não é história; a memória se produz
sempre num lugar posicionado, sujeitas às interferências do presente e as posições de onde o sujeito
histórico. É desse lugar que o entrevistado relembra um passado que é, sempre, reconstrução a partir
de questões que se colocam no presente. Essa relação entre tempos, do passado até o presente e do
presente até o passado, governa as reflexões da comunicação, que aborda, sobretudo, as
possibilidades metodológicas de uma história do jornalismo utilizando como fonte o possível
passado existente nas relembranças consideradas, nesta perspectiva, como documentação histórica.
Media, Jornalismo e Revolução: o que ficou na(s) memória(s)?
Pedro Marques Gomes
Escola Superior de Comunicação Social & LIACOM
Resumo
O historiador francês Pierre Nora (1984, p.9) explica que a memória “está em permanente evolução,
aberta à dialética da lembrança e do esquecimento inconsciente de suas deformações sucessivas,
vulnerável a todos os usos e manipulações”. E acrescenta: “a memória se enraíza no concreto, no
espaço, no gesto, na imagem e no objeto”. Esta comunicação parte, pois, desta reflexão, cruzando
os estudos da comunicação, da história e da memória.
Inserido no projeto “MemNews – História oral e memória(s) das práticas e hábitos de consumo e
receção noticiosa e da experiência das notícias em Portugal a partir dos testemunhos dos cidadãos –
a parte que falta para uma história do jornalismo em Portugal”, com a referência 2023.15210.PEX,
este trabalho tem como objetivo, através do estudo de 10 entrevistas de vida realizadas a cidadãos,
compreender as suas memórias sobre o papel dos media durante o período seguinte ao derrube da
ditadura portuguesa, a 25 de Abril de 1974.
Como obtiveram a notícia do golpe militar? Como se informaram posteriormente? Que órgãos de
informação consumiam? E porquê? Que avaliação fazem da atuação dos media naquele tempo? O
que os marcou mais? Como descrevem tudo isso, passados 50 anos sobre os acontecimentos? E o
que está ausente dos seus discursos? Estas são algumas das questões a que procuramos responder,
tentando contribuir para um melhor conhecimento sobre a relação entre os cidadãos e os media
durante os anos de 1974-1975 e o que, de tudo isso, ficou nas suas memórias.
Palavras-chave
Memórias; Cidadãos; 25 de Abril; Revolução.
A era da televisão e o conceito de geração: as notícias como experiência comum
Nuno Francisco
Universidade da Beira Interior & LabCom
nunofrancisco@ubi.pt
José Ricardo Carvalheiro
Universidade da Beira Interior & LabCom
jose.carvalheiro@labcom.ubi.pt
Resumo
O conceito de geração em função dos media (Bolin, 2017; Aroldi e Ponte, 2012) tem sido aplicado
quando pessoas de uma dada coorte etária convivem nos seus anos de formação com uma certa
paisagem comunicacional e uma determinada tecnologia de uma forma que as faz partilharem um
mesmo tipo de experiência mediática historicamente situada, a ponto de isso as levar a adquirirem
uma consciência identitária da sua pertença geracional e de nelas eventualmente perdurarem marcas
geracionalmente específicas em termos de práticas de consumo, hábitos culturais e memórias.
Tendo em conta que na segunda metade do século XX a televisão emergiu como eixo crucial do
sistema mediático e que em Portugal ela foi atravessada por circunstâncias históricas particulares,
este texto centra-se num conjunto de entrevistas realizadas no âmbito do projeto MemNews com
membros da audiência, visando perceber se é lícito falar-se de uma geração TV no que respeita ao
consumo de notícias e informação, e que traços e fronteiras poderão defini-la. De forma
exploratória, centramos a atenção em pessoas nascidas entre 1960 e 1975, cujo período de infância
e adolescência se fez entre as décadas de 60 e meados dos anos 90, época balizada entre a
implantação da televisão e o surgimento da internet. A amostra é composta por membros atuais das
classes médias e altas, mas cujas origens e trajetórias são variadas. Para termo de comparação
analisamos também indivíduos de outras coortes etárias, nomeadamente nascidos antes de 1945 e
depois de 1990. A análise adota simultaneamente um enfoque histórico dirigido às práticas de
receção e uma noção de memória que tem em conta os padrões de rememoração por parte da
audiência.
Palavras-chave
Geração; televisão; notícias; receção; memória.
Ilhas no ecrã: apontamentos e memórias sobre a história da televisão nos Açores
Catarina Rodrigues
Universidade dos Açores & LabCom (Universidade da Beira Interior)
Resumo
Cinquenta anos após a primeira emissão da RTP Açores, realizada a 10 de agosto de 1975, torna-se
particularmente relevante revisitar a história recente dos media regionais, atendendo às
especificidades dos meios audiovisuais. A televisão chega aos Açores num contexto nacional pós-
revolucionário e, no arquipélago, em pleno processo de afirmação da autonomia, assumindo-se
como um dos seus pilares simbólicos e estruturais. Marcada pela insularidade e por
constrangimentos geográficos e tecnológicos, a história da televisão nos Açores evidencia desafios
singulares que moldaram a evolução do serviço público de media na região. Neste enquadramento,
procura-se compreender de que forma a televisão contribuiu para aproximar um território disperso e
fragmentado.
Partindo de perspetivas da história oral (Álvarez, 2017; Caprino e Perazzo, 2011; Portelli, 2010;
Oliveira, 2010; Maia, 2006), este trabalho recorre a entrevistas semiestruturadas realizadas a
cidadãos com mais de 65 anos residentes nos Açores, de modo a recuperar memórias associadas às
experiências de receção televisiva. Para o efeito, são também analisados testemunhos incluídos no
documentário 50 anos RTP Açores, da autoria de Herberto Gomes.
Os resultados preliminares permitem identificar momentos marcantes na história do canal, como o
sismo na ilha Terceira (1980), os acidentes de aviação em Santa Maria (1989) e em São Jorge
(1999), a tragédia da Ribeira Quente (1997), e a visita do Papa às ilhas Terceira e São Miguel
(1991). Nas memórias televisivas destacam-se ainda produções de ficção, impulsionadas após a
criação do Centro Regional dos Açores em 1980, e a transmissão de acontecimentos que reforçaram
a ligação à diáspora.
Considerando diferentes contextos sociais, políticos e culturais, os testemunhos recolhidos
configuram contributos relevantes para aprofundar a história dos media no contexto insular, com
particular enfoque nos meios audiovisuais.
Palavras-chave
Televisão, Açores, proximidade, media regionais.
Um panorama da evolução do consumo de notícias em Portugal – Projeto MemNews e Serviço
Público de Média
Patrícia Weber
Universidade Fernando Pessoa
pweber@ufp.edu.pt
Renato Pinto Ferreira
Universidade Fernando Pessoa
rpferreira@ufp.edu.pt
Ana Santos
Universidade do Minho & Universidade Fernando Pessoa
ana.santos@ufp.edu.pt e acsanttos@gmail.com
Resumo
Nesta apresentação temos como objetivo construir uma panorâmica da evolução do consumo de
notícias em Portugal, partindo de uma amostra de 15 entrevistados do Projeto MemNews nascidos
antes de 1965, centrando a nossa atenção no assimilar de conteúdos vindos do Serviço Público de
Média (SPM). Assim, cruzaremos a história do SPM em Portugal com a verbalização de
experiências (enquanto consumidores de média) dos entrevistados da nossa amostra. Deste modo,
utilizamos o método da história oral relacionado com referencial bibliográfico pertinente aos nossos
objetivos. Através deste cruzamento, almejamos: a) construir pontes entre o discurso oral dos
entrevistados do Projeto MemNews com a história do SPM em Portugal – aferindo se há ou não
diferenças na perceção entre consumo de notícias do serviço público e do serviço privado dos
média; b) verificar a sua perceção sobre a transição dos média a partir do 25 de abril de 1974; c)
traçar dinâmicas de influência entre serviço público e privado de média – a partir de casos concretos
de coberturas mediáticas de grandes eventos/factos/notícias; e d) dar exemplos de programas e/ou
jornalistas/apresentadores que foram/são referência para a amostra de entrevistados do Projeto
MemNews, inserindo-os (esses exemplos) na história do serviço (público e privado) de média em
Portugal.
Palavras-chave
Projeto MemNews; história oral; consumo de notícias; Serviço Público de Media; jornalismo em
Portugal.
Sessão 1.2
Do telejornal ao TikTok: práticas e memórias de receção noticiosa de jovens portugueses
(18–30) no âmbito do projeto MemNews
Sandra Tuna
Universidade Fernando Pessoa & LabCom
stuna@ufp.edu.pt
Elsa Simões
Universidade Fernando Pessoa & LabCom
Resumo
A experiência noticiosa das gerações mais jovens ocorre num ecossistema mediático híbrido, no
qual o jornalismo profissional coexiste com plataformas digitais, algoritmos, influencers e vastos
fluxos de conteúdos não jornalísticos. No âmbito do projeto MemNews, esta comunicação analisa o
modo como jovens portugueses entre os 18 e os 30 anos preferencialmente acedem, interpretam e
recordam notícias num contexto marcado pela mediação tecnológica e pela circulação intensiva de
informação em rede
Este estudo, de natureza qualitativa e exploratória, recorre à metodologia da história oral e da
análise discursiva, com base em 25 entrevistas semiestruturadas gravadas em vídeo e
disponibilizadas no canal do projeto. Os participantes, que são maioritariamente estudantes do
ensino superior (1º e 2º ciclos), bem como trabalhadores de diferentes setores, oferecem um retrato
diversificado das práticas informativas desta geração.
Os resultados preliminares indicam que o consumo noticioso é fortemente mediado por plataformas
como Instagram, TikTok e X, que constituem uma fonte preferencial de acesso à atualidade. Muitos
entrevistados descrevem práticas em que as notícias surgem de forma não deliberada, através de
algoritmos, tendências ou partilhas em rede, coexistindo com conteúdos de opinião e humorísticos.
As memórias de acontecimentos marcantes, tais como a pandemia de COVID-19, guerras recentes
ou episódios de grande visibilidade mediática, revelam uma forte influência da dimensão visual e
emocional (proto)típica das plataformas digitais. Observa-se ainda uma perceção crítica quanto à
desinformação e à opacidade algorítmica, acompanhada de algum grau de confiança no jornalismo
tradicional, que é valorizado pelo rigor, mas raramente procurado de forma ativa.
Nesta comunicação discutem-se estas tendências à luz da história oral e reflete-se sobre o impacto
do ambiente de plataformas na formação das memórias noticiosas desta geração.
Palavras-chave
História oral; receção noticiosa; jovens; análise de discurso; ecossistema digital.
Consumo e receção de notícias entre jovens portuguesas: um estudo de história oral na Região
Norte
Samanta Souza Fernandes
Universidade Fernando Pessoa & ICNOVA – Instituto de Comunicação da NOVA
Resumo
Este estudo investiga o consumo e a receção de notícias por jovens mulheres (18-35 anos) na região
Norte de Portugal, utilizando entrevistas de história oral. A pesquisa explora como juventude e
gênero influenciam as práticas mediáticas em um contexto digital, dialogando com estudos sobre o
uso feminino dos media. A literatura destaca a centralidade das redes sociais no acesso à
informação e a persistência de estereótipos de gênero nos media portugueses. Foram realizadas
entrevistas com dez mulheres, analisando suas preferências e perceções sobre o consumo de
notícias. As participantes mostram preferência por plataformas digitais, destacando a rapidez e
diversidade de fontes. Há preocupação com a fiabilidade das notícias e perceção de sub-
representação feminina na cobertura noticiosa. As mulheres enfrentam desafios na verificação da
informação e sentem distanciamento em relação à política institucional. Apesar das mudanças
tecnológicas, persistem obstáculos estruturais na relação das mulheres com os media. Promover
uma literacia mediática crítica e sensível ao gênero é essencial para fortalecer a participação
informada das jovens na esfera pública.
Palavras-chave
Receção de notícias; jornalismo; mulheres jovens; estudos de género; história oral.
Dinâmicas de socialização mediática familiar na sociedade digital: um estudo comparativo
sobre transformações geracionais, desinformação e resistências críticas entre jovens
madeirenses
Samuel Mateus
Universidade da Madeira e Labcom
Resumo
A socialização mediática constitui um processo fundamental através do qual os indivíduos
interiorizam normas, valores e práticas relacionadas com o consumo e a interpretação dos media.
Esta comunicação examina os processos de socialização mediática familiar através do estudo
comparativo de setes jovens universitários da Região Autónoma da Madeira entre os 18 e os 24
anos. Baseando-se em entrevistas realizadas no âmbito do projeto MemNews e enquadrando-se na
literatura sobre transformações digitais e identidades territoriais, a investigação explora as mutações
nos hábitos de consumo noticiosos entre gerações, a hibridização entre práticas tradicionais e
digitais, os paradoxos da desinformação no contexto português, e as emergentes formas de
resistência crítica.
Dados preliminares sugerem que a exposição familiar aos media tradicionais na infância evoluiu
para formas diversificadas de consumo mediático autónomo na juventude, evidenciando a
prevalência do consumo de meios de comunicação social regionais quanto rupturas geracionais
significativas quanto ao uso das redes sociais como meio de acesso à informação. Por outro lado, os
testemunhos oferecem perspetivas contrastantes sobre confiança mediática, literacia digital e
consciência crítica, confirmando os paradigmas teóricos de Jenkins sobre cultura da convergência e
as teses de Morley sobre persistência territorial em contextos globalizados.
O estudo pretende, pois, contribuir para a compreensão das mutações do consumo noticioso no
ecossistema mediático português e evidencia alguns desafios metodológicos da história oral numa
era de crescente mediatização social.
Palavras-chave
Socialização mediática; jovens e redes sociais; identidades regionais; memória social dos media.
Dos jovens adultos aos idosos: hábitos de consumo noticioso e perceções sobre o jornalismo
entre duas gerações
Lidia Marôpo
Instituto Politécnico de Setúbal – ESE/IPS & CICS.NOVA
lidia.maropo@ese.ips.pt
Celiana Azevedo
Instituto Politécnico de Setúbal – ESE/IPS & ICNOVA
Resumo
A presente proposta integra uma investigação em curso no âmbito do projeto “História oral e
memória(s) das práticas e hábitos de consumo e receção noticiosa e da experiência das notícias em
Portugal a partir dos testemunhos dos cidadãos – a parte que falta para uma história do jornalismo
em Portugal”, financiado pela FCT. Partindo da premissa de que a história do jornalismo se constrói
não apenas a partir dos profissionais e das instituições mediáticas, mas também das audiências, o
estudo procura compreender como diferentes gerações vivem, interpretam e atribuem significado às
notícias. Focamo-nos na comparação entre dois grupos etários distintos: idosos com mais de 70
anos e jovens adultos entre os 18 e os 30 anos. Enquanto o primeiro grupo desenvolveu os seus
hábitos de consumo num contexto marcado pela escassez de informação e pela centralidade dos
meios tradicionais — rádio, imprensa e televisão pública —, o segundo cresceu em ambientes
digitais, caracteriza-se por menor disposição para pagar por notícias e não partilha os mesmos
catalisadores históricos na formação de hábitos jornalísticos. Foram realizadas 40 entrevistas
semidiretivas, inspiradas na metodologia da história oral, ao longo de 2025, recorrendo ao sistema
de bola de neve. Os testemunhos recolhidos estão a ser analisados através de análise temática,
seguindo as etapas propostas por Braun e Clarke (2006): familiarização, codificação, identificação,
revisão e definição de temas, culminando na produção interpretativa dos resultados. A investigação
procura identificar semelhanças e diferenças entre as duas gerações no que respeita aos hábitos de
consumo noticioso, às perceções sobre o papel social do jornalismo, à credibilidade atribuída às
notícias e ao impacto do atual contexto de desinformação. Além disso, analisam-se continuidades e
transformações na experiência noticiosa e na forma como o jornalismo é percecionado no país.
Ao valorizar os relatos dos cidadãos, o estudo pretende contribuir para uma compreensão mais
ampla e plural da história do jornalismo em Portugal, revelando modos diversos de apropriação e
significação da informação entre diferentes gerações.
Palavras-chave
História do jornalismo; consumo noticioso; história oral; audiências mediáticas.
Memórias do uso dos meios jornalísticos e receção de notícias: um estudo com cinco
portuenses 84+
Jorge Pedro Sousa
Universidade Fernando Pessoa & ICNOVA – Instituto de Comunicação da NOVA
Resumo
Uma história do jornalismo deve contemplar os usos e receção dos meios jornalísticos, pois as
audiências são uma força relevante no seio do sistema jornalístico (Picone, 2017; Meijer, 2019).
Esta investigação, realizada no âmbito do projeto MemNews (https://memnews.fundacaofernandopessoa.pt/), procura, assim, recuperar e analisar as memórias
que cinco portuenses (m/f) com mais de 84 anos têm das notícias e dos meios jornalísticos. Trata-se
de um estudo inspirado pela história oral que tem por base as recomendações e conceitos de Meihy
(1996) e de Meihy & Holanda (2015). A comunidade de destino foi constituída pelos portugueses e
portuguesas maiores de idade, a colónia pelos residentes na Área Metropolitana do Porto com 84 ou
mais anos e a rede pelos cinco indivíduos que se voluntariaram para participar no estudo após
contacto pessoal. A coleta de dados alicerçou-se na realização de entrevistas presenciais com guião
semiestruturado, gravadas e divulgadas em vídeo, em canal próprio do projeto MemNews
(https://www.youtube.com/@ProjetoMemNews/videos), em fevereiro, março e abril de 2025. Uma
vez que a história oral valoriza cada testemunho e cada biografia individual, esta pesquisa não
pretende trazer resultados representativos, mas sim valorizar as memórias individuais e os
testemunhos orais que as verbalizam (Meihy, 1996; Meihy, Holanda, 2015). A apresentação dos
resultados é essencialmente descritiva, considerando, no entanto, o contexto histórico e geográfico e
outras variáveis, como género e profissão. A interpretação dos resultados baseou-se, ainda, na
perspetiva teórica dos usos e gratificações, que encara os recetores como sujeitos ativos capazes de
fazerem escolhas e de as esclarecerem (Katz, Blumler e Gurevitch, 1985). Os resultados evidenciam
que os usos dos meios jornalísticos e os hábitos de receção de notícias apresentam quer padrões de
estabilidade quer mudanças ao longo do tempo. A chegada da televisão, que se veio somar a um
ecossistema mediático pontuado pela rádio e pela imprensa, trouxe as primeiras mudanças, que o
digital, a partir do início do novo milénio, acentuou, ainda que os entrevistados e entrevistadas
mantenham hábitos de usos e receção dos meios jornalísticos que adquiriram na sua infância e
juventude, como a leitura da imprensa em papel, destacando-se o Jornal de Notícias, último diário
histórico do Porto em circulação, e a audição de rádio. No entanto, os entrevistados e entrevistadas
aderiram, maioritariamente, ao uso dos meios jornalísticos na Web e alguns recebem notícias pelas
redes sociais, verbalizando consciência da existência de mensagens desinformativas e
manipuladoras, nomeadamente “notícias falsas”. As memórias dos entrevistados e entrevistadas
presentificam, além disso, um tempo – o do Estado Novo – em que a imprensa jornalística chegava
com dificuldades a certas zonas da Área Metropolitana do Porto; demonstra a preferência histórica
pela leitura dos diários do Porto, que providenciavam mais informação local; e que nas famílias
com poder aquisitivo os jornais e revistas eram comprados e levados para casa, diariamente ou ao
fim-de-semana, sendo colocados à disposição da família pelo pater familia, que decidia quais eram
os títulos que se compravam, mas os homens (as mulheres não o referem) também liam jornais nos
cafés e coletividades e até nos engraxadores e, por vezes, também liam as notícias dos placardes
públicos que os principais jornais portuenses tinham nos seus edifícios. No entanto, havia leituras
femininas de diários noutros espaços, como a Biblioteca Municipal e a própria sede dos jornais. A
revista O Século Ilustrado tinha aceitação por homens e mulheres e era lida, sobretudo,
domiciliarmente, quando as famílias tinham poder aquisitivo para a comprarem. O acesso à rádio
era comum, sendo as estações mais referidas a Emissora Nacional e a Rádio Renascença. A rádio
era usada, individualmente ou em família, para entretenimento (música), para audição – masculina –
de relatos de futebol e para receção de notícias. Rádios estrangeiras eram escutadas
clandestinamente pelos homens. As notícias eram pouco comentadas, por desinteresse e receio. A
televisão foi bem acolhida, sendo vista, numa primeira fase, em cafés e coletividades, e, mais tarde,
no contexto domiciliário, quando as condições financeiras permitiram a compra de um televisor,
pontificando o Telejornal como o programa informativo mais visto. Os jornais cinematográficos
eram vistos com regularidade, pois ir ao cinema era um hábito urbano, e os entrevistados e
entrevistadas acompanharam o desaparecimento dos mesmos das salas de cinema. O 25 de Abril
trouxe aos entrevistados e entrevistadas um interesse renovado pelos meios jornalísticos e pelas
notícias. Todos e todas valorizam a liberdade de expressão, mas expressam consciência da luta
ideológica travada no jornalismo durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC).
Acompanharam pelos meios jornalísticos os grandes acontecimentos nacionais e internacionais e
expressam consciência de que as notícias afetam a maneira como os acontecimentos são recordados
e avaliados.
Palavras-chave
Memória; usos dos meios jornalísticos; receção de notícias; Porto; Portugal; idade 84+.
Sessão 2.1
As hipotéticas razões de uma ausência de um número omisso da Gazeta da Restauração
[Dezembro 1646/Janeiro de 1647]
Eurico José Gomes Dias (IUM – Instituto Universitário Militar & ISCPSI – Instituto Superior de
Ciências Policiais e Segurança Interna)
Resumo
O movimento da Restauração [1640-1668] originou uma profícua literatura de justificação
revolucionária e de ardor patriótico, patente na publicação de inúmeros tratados jurídicos,
panegíricos, sermões, discursos encomiásticos e inúmeros panfletos, simultaneamente doutrinários e
políticos, em prol da nova dinastia de Bragança.
Neste sentido, as chamadas Gazetas da Restauração são actualmente consideradas fontes históricas
de primeira importância para compreender as manifestações sociais, políticas, militares e
diplomáticas que envolveram Portugal logo após a Restauração de 1640. Possuidoras de inúmeras
informações acerca das actuações, composição e manutenção do Exército português, este periódico
registou uma perspectiva muito própria sobre as operações militares portuguesas e europeias na
Guerra dos Trinta Anos [1618-1648], um arrastado conflito internacional onde as Guerras da
Restauração se inscreveram perifericamente.
Sucedâneo à publicação das Gazetas da Restauração [Instituto Diplomático/Ministério dos
Negócios Estrangeiros, 2006], sob a nossa responsabilidade, as quais são conhecidas como «o
primeiro jornal português», descobriu-se recentemente um número desconhecido deste periódico.
Este número não consta em nenhum acervo ou registo bibliográfico do nosso conhecimento, o qual
corresponde ao número de Dezembro de 1646 e Janeiro de 1647, o qual se julgava perdido ou que
nem tivesse sido impresso. Neste sentido, faremos a devida leitura crítica desta documentação,
assim como a devida contextualização do seu conteúdo no encadeamento noticioso daquele
periódico primordial.
No âmbito da emergente imprensa periódica nacional [e até internacional], abriu-se aqui um
precedente justificativo da necessidade de publicação destas fontes históricas. Sendo esse um
período inicial do nosso universo periodístico, pretende-se compreender melhor as opções
estratégicas diplomático-políticas portuguesas na década de 1640. Também aqui se verificará as
condicionantes internas e externas que influenciaram o posicionamento de Portugal no contexto da
primeira fase da Guerra da Restauração [1640-1650], sob os prismas noticiosos das Gazetas da
Restauração [1641-1647/8].
O jornalismo português entre 1822 e 1922 e o surgimento da imprensa no Brasil
Ana Suely Pinho Lopes
Universidade de Brasília
Resumo
Este trabalho tem como objetivo apontar a interferência no jornalismo luso-brasileiro nos anos
Oitocentos e discorrer sobre as consequências ocorridas na Europa desde a Revolução Francesa.
Nessa perspectiva, a imprensa portuguesa foi afetada pela reação do Antigo Regime e suas medidas
em face da Revolução liberal de 24 de agosto de 1820. Ademais, inseriu o jornalismo português sob
o signo da instabilidade (1834-1850), com a Regeneração ao ocaso da Monarquia (1850-1910) e por
meio da proclamação da República do Brasil que teve grande impacto nos primeiros doze anos da I
República (1910-1922). Sabe-se que no início do século XIX a Europa foi imersa nas incursões de
Napoleão Bonaparte, fato que resultou na invasão de Portugal no ano de 1807 e provocou a fuga da
família real portuguesa para o Brasil, elevando-o à posição de Corte. Este artigo tem como objetivo
contextualizar a reação que atingiu o jornalismo português e por conseguinte a imprensa no Brasil,
ademais, perceber o panorama o qual surgiram as revistas ilustradas portuguesas. A metodologia
empregada deu-se conforme o princípio da análise do discurso com o emprego da análise
exploratória que aplica técnicas de análise qualitativa histórico-cultural por meio da abordagem
qualitativa. Como resultado, concluiu-se que a imprensa ilustrada em Portugal manifestou-se em
meio da conquista da liberdade de imprensa e que tornou-se valiosa na sociedade Oitocentista e
Novecentista, além de tudo, promoveu o aparecimento da imprensa no Brasil.
Palavras-chave
Jornalismo português; imprensa no Brasil; Revolução Liberal; revistas ilustradas portuguesas.
As especificidades da imprensa no Brasil oitocentista: um estudo de caso sobre os primeiros
anos da atividade editorial na Província do Espírito Santo (1849 -1860)
Karulliny Silverol Siqueira
Universidade Federal do Espírito Santo
Resumo
Esta comunicação pretende problematizar o desenvolvimento da imprensa no Brasil durante o
século XIX, destacando as especificidades em meio a ampliação da atividade tipográfica durante o
período oitocentista. Neste sentido, pretendemos evidenciar como estudo de caso o contexto de
criação da imprensa na Província do Espírito Santo, uma localidade que desenvolveu seu primeiro
jornal apenas em 1849. Busca-se, assim, destacar a instação da primeira tipografia, a adesão da elite
política do período em torno do primeiro jornal, o Correio da Victória, e as dimensões sociais e
culturais que a imprensa faz emergir na localidade. Objetiva-se, também, elencar a trajetória do
jornalismo local, a partir de uma grande transformação ocorrida em 1860, em meio à efervescência
política e partidária do Brasil oitocentista. A investigação segue as premissas teórico-
medodológicas da história da cultura impressa, vizualizando as transformações na cultura política
local, a sociologia dos textos, suas motivações sociais e a materialidade dos impressos dentro de seu
circuito de comunicação.
Palavras-chave
História do jornalismo; Brasil; século XIX.
ALMANAQUE: “Orgão oficial das pessoas inteligentes” – revisitação a uma revista
irreverente e isenta de ir à censura
João Figueira
CEIS20-UC
Resumo
Entre outubro de 1959 e maio de 1961, num total de 18 números, é publicada uma revista mensal —
Almanaque — possuidora de uma escrita elegante e mordaz, que tinha na sátira social uma das suas
principais imagens de marca e que raramente cumpriu com os prazos de edição estabelecidos.
Dirigida por José Cardoso Pires, embora nunca essa função tenha sido formal e oficialmente
assumida, a Almanaque vai ficar isenta de apresentar os respetivos conteúdos ao sempre aleatório
exame prévio da censura, no contexto do rigoroso controle editorial e de pensamento, por parte da
ditadura vigente. Mais disruptiva no grafismo que na escrita, apesar dos criativos jogos de palavras
com sentidos figurados que constituíram a imagem de marca dos textos da revista, esta nunca
afrontou verdadeiramente a autoridade do regime, não obstante a regular colaboração de autores
ligados ao movimento neo-realista e à oposição republicana. Embora em linha com uma certa
vanguarda editorial da época, em cujo quadro internacional iria emergir o que ficou conhecido por
new journalism, a Almanaque soçobrou ao fim de 18 números, cheia de dívidas e sem nunca ter, no
fundo, tocado mais que o pequeno nicho da intelectualidade diletante que animava as tardes no
Chiado lisboeta. Com base em bibliografia de referência (incluindo o que o próprio Cardoso Pires e
outros membros da redação da revista disseram e escreveram sobre esta publicação) e na leitura e
análise às 18 edições da Almanaque, procura-se com esta revisitação situar a sua experiência no
contexto do jornalismo cultural da época; perceber as suas relações com as autoridades censórias e
porque é que num quadro de apertada vigilância política foi autorizada a sua publicação e ficar
isenta do exame prévio; observar como temas sensíveis como a guerra em África e as crises
estudantis estiveram ausentes da revista; e constatar que se tratou de um projeto mais estético e
culturalmente irreverente, do que político. Porém, marcante na história da imprensa portuguesa do
século XX.
Palavras-chave
Almanaque; censura; Ditadura; imprensa; Estado Novo.
A imprensa do concelho de Almada após o 25 de abril de 1974: 50 anos de periodismo local
João Paulo Limão
CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais | Universidade de Lisboa
Resumo
A imprensa local e regional é uma das fontes fundamentais de grande parte do conhecimento do
público sobre a vida local. Caracterizada pela sua proximidade face às comunidades e territórios em
que se insere, distingue-se sobretudo pela incidência informativa e cobertura noticiosa dos eventos e
factos que aí ocorrem. No entanto, a imprensa local e regional corresponde igualmente a um
universo de grande heterogeneidade, que engloba publicações muito diversas na forma, conteúdo,
tema e propósito, que vai desde o boletim à revista, do entretenimento às notícias, da cultura ao
desporto ou da informação ao panfletarismo. Acresce que a exiguidade dos territórios e mercados
em que se localizam e a consequente fragilidade empresarial das suas estruturas torna-as suscetíveis
a uma série de dificuldades económicas que geram uma dependência da publicidade institucional e
do poder local, mas também a partilha estreita do espaço geográfico entre fontes e informadores,
com indefinição dos papéis pessoais e profissionais, pode levar a pressões sobre os jornalistas. Em
Almada, após o 25 de Abril de 1974, assistiu-se a um intenso período de expansão de novos
periódicos. Embora a imprensa almadense tenha uma história com mais de dois séculos, quase três
quartos das publicações sediadas no concelho surgiram nos últimos 50 anos. Estas publicações
refletem o forte dinamismo das forças vivas da região, com muitas associações, empresas, partidos
políticos, sindicatos, escolas, igrejas e clubes desportivos a produzirem uma variedade de
publicações que apresentam e defendem as suas perspetivas sobre o concelho e as questões que
defendem. Dentro desta grande variedade, as publicações dedicadas à informação jornalística
representam um pequeno grupo de menos de um décimo das publicações que surgiram neste
período. Neste período, estas publicações têm tido uma longevidade muito curta, o que parece
confirmar a sua fragilidade e dependência.
Palavras-chave
Imprensa regional; jornalismo; Almada; história.
Sessão 2.2
Terceiro reinado em contestação: a ameaça republicana à perpetuidade da monarquia nas
páginas dos jornais brasileiros (1885-1889)
Cibele Camargos Pereira
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Resumo
Nos últimos anos de domínio da dinastia Bragança em território brasileiro, impunha-se o desafio de
garantir a perpetuidade da monarquia a partir da sucessão imperial. Em uma conjuntura de
adoecimento do monarca, a fragilização do sistema imperial refletia o próprio estado de saúde do
soberano, e as investidas dos movimentos que ameaçavam a ordem estabelecida, como o
republicano e o abolicionista. A imprensa periódica constituiu-se como um dos principais veículos
de crítica ao sistema e de publicidade para a República. A linguagem dos contestadores não atingia
apenas o reinado do imperador Pedro II, mas também a possibilidade de a monarquia perdurar no
país, direcionando os questionamentos à sucessora, d. Isabel. A herdeira da coroa, e o seu
prospectado terceiro reinado seriam alvo constante dos ataques dos jornalistas do período. A
investigação das correspondências redigidas pela princesa imperial demonstrou que d. Isabel
conhecia os debates formulados na imprensa acerca do seu possível futuro como imperatriz.
Visando identificar os principais vocábulos que compunham a cultura política de rejeição ao
terceiro reinado, examinamos as páginas dos periódicos O País, Gazeta de Notícias, Diário de
Notícias, Cidade do Rio, Gazeta da Tarde, O Mequetrefe e Jornal do Comércio. As referidas folhas,
que circulavam na corte imperial no final dos anos 1880, e destacavam-se por apresentar grande
tiragem, foram analisadas à luz da metodologia das Linguagens Políticas, fundamentada nos
pressupostos teóricos dos historiadores britânicos Quentin Skinner (1996) e John Pocock (2003). O
estudo revelou como a resistência à concretização do Império de Isabel I influenciou os caminhos
da crise que extinguiu a monarquia no país, e como o gênero da princesa foi utilizado como um
artifício no vocabulário dos republicanos para comprovar a suposta incapacidade de a sucessora
imperar.
Palavras-chave
Imprensa, crise do Império Brasileiro; princesa Isabel; terceiro reinado; dinastia Bragança.
A publicidade jornalística no início do século XX
Eduardo Cintra Torres
Universidade Católica Portuguesa
Resumo
A fusão da publicidade e do jornalismo em conteúdos informativos na imprensa portuguesa nas
primeiras décadas do século XX era frequente e não parece ter motivado sobressaltos éticos. Nesta
comunicação, procuro estabelecer os marcadores das mensagens informativas publicitárias, quer no
grafismo e espacialidade, quer no conteúdo verbal e ilustrativo, através de exemplos colhidos em
diários portugueses.
Palavras-chave
Publicidade; Portugal; imprensa diária; século XX.
La prensa comarcal catalana a través de las asociaciones de la prensa de principios del siglo
XX
Júlia Cuadrat-Royo
Universitat Rovira i Virgili
Resumen
Esta comunicación se centra en el análisis de la realidad sociolaboral de los periodistas de la prensa
comarcal de Catalunya (España) de principios del siglo xx a partir del estudio de las asociaciones de
la prensa. El interés de esta temática reside en la singularidad que representa el objeto de estudio, la
prensa comarcal y sus periodistas, respecto la prensa nacional catalana, que es la que se edita,
publica y distribuye en Barcelona, y los periodistas barceloneses. El concepto de prensa comarcal,
en el caso de Catalunya, es asumido por el conjunto de periódicos editados fuera de Barcelona, que
es referencia indiscutible de un mercado nacional catalán unificado.
El objetivo principal de esta investigación es evaluar la incidencia de las asociaciones de la prensa
comarcales como una expresión de sociabilidad formal profesional en el marco de los años 20 y 30.
Se pretende comprender cómo estas asociaciones fueron capaces de otorgar un sentimiento de
consciencia y pertinencia de clase a un grupo concreto, los periodistas comarcales de Catalunya,
que tiene unas necesidades específicas y diferenciadas de las de los periodistas barceloneses. Por
otro lado, se quiere ratificar que estas asociaciones no solo responden a reivindicaciones sociales,
sino también de índole cultural. Sus objetivos no se limitan a la dignificación y la defensa de la
prensa comarcal y del oficio, sino a formar parte de la vida política, social y cultural de su realidad
territorial. Asimismo, el estudio de las asociaciones de la prensa comarcales permitirá evaluar la dimensión
territorial del despliegue del mercado periodístico, la pluralidad política y social de la producción
periodística, el elemento identitario de los periódicos y revistas comarcales, y la expansión del uso
de la lengua catalana. Para conseguir estos objetivos y contrastar los supuestos planteados se realizará un análisis cualitativo de fuentes primarias, sobre todo, de periódicos locales y de la documentación creada por
las asociaciones.
Palabras-clave
Prensa comarcal, Catalunya, asociaciones de la prensa, periodistas, identidad profesional.
O entretenimento como dispositivo histórico: dos jornalismos ao tecnoentretenimento
Maurício da Silva Duarte
Universidade Salgado de Oliveira
Resumo
A presença do entretenimento no jornalismo é geralmente criticada como uma deformação causada
pela busca de audiência. Nesse processo, a esfera pública degenera-se, deixa de ser um estímulo a
experiências de vida reflexivas, intensas e profundas, tornando-se banal, repetitiva e fútil, um objeto
de consumo não-crítico e alienante. A pesquisa “Cena teatral: dos jornalismos ao
tecnoentretenimento”.argumenta que essa é uma visão parcial. A recuperação histórica mostra que o
entretenimento sempre esteve presente no jornalismo, por produzir uma narrativa de sensações que
se conecta com as experiências sociais, em especial do público popular. A partir do instrumental
teórico da Análise do Discurso Textualmente Orientada, a pesquisa analisa as disputas por
hegemonia das duas principais gramáticas da notícia, estabelecidas na experiência anglo-saxã, após
o nascimento do modelo de negócios chamado “economia da atenção”, a gramática da objetividade
e a gramática do sensacional (sem desconsiderar outras experiências culturais de desenvolvimento
do jornalismo). A hegemonia da objetividade, a partir do final do século XIX, teve como
consequência a constituição do dispositivo estratégico de objetividade, estratégia de controle e
governamentalidade usada para moldar a agenda pública, regulando fluxos de sensação e
informação. Mudanças de contexto e a emergência do jornalismo tecnológico, a partir da segunda
metade do século XX, fizeram emergir o dispositivo entretenimento. Os jornais ditos de referência
passaram a se valer cada vez mais do entretenimento nos relatos noticiosos. O entretenimento torna-
se dispositivo na medida em que vira um operador editorial, orientando o que vai ou não ser
publicado na esfera púbica. Por fim, o dispositivo entretenimento passa a ser amplamente utilizado
no ambiente digital. É o principal operador dos algoritmos, está imbricado a eles. O tecnoentretenimento, como conceituado a partir da Análise do Discurso Digital, está presente nas
fake news, tornando-se um elemento-chave para compreender as disputas narrativas que ocorrem
nas plataformas.
Palavras-chave
Infoentretenimento; jornalismo; sensacionalismo; análise do discurso; tecnodiscurso.
Periodização histórica do Sistema Mediático Português entre 1974 e 2024
Paulo Couraceiro
Universidade do Minho
paulo.couraceiro@obercom.pt
Felisbela Lopes
Universidade do Minho
Resumo
A história contemporânea dos média e do jornalismo em Portugal vem beneficiado do contributo de
muitos investigadores (Correia, 2008; Sousa e Prado, 2010) que têm procurado compreender não
apenas as suas raízes revolucionárias como a sua evolução, muito marcada pela liberação dos média
e adoção de modelos de mercado e pela adaptação às exigências da digitalização. Através de uma
abordagem diacrónica, este artigo identifica e examina os períodos históricos mais significativos no
panorama mediático português dos últimos 50 anos, começando em 1974 e terminando em 2024,
refletindo sobre as respetivas implicações. É utilizada uma metodologia qualitativa que integra
revisão da literatura, analisando as propostas de outros autores portugueses que documentaram a
história do jornalismo e propuseram algum tipo de divisão temporal ou cronológica para a sua
interpretação (Conde, 2019; Cádima, 2010; Bastos, 2023; Santos, 2010; Sousa e Lima, 2021). O
contributo é uma nova proposta de periodização histórica, estendida ao longo de 50 anos, para
demonstrar como os diferentes eventos que marcam o sistema mediático português podem ser
agrupados em fases distintas até à atualidade. Os resultados indicam que a evolução ocorrida nos
últimos 50 anos pode ser delimitada em oito períodos históricos distintos: revolução e estatização
(1974-1976); institucionalização e diversificação (1977-1984); liberalização e reestruturação (1985-
1994); experimentação digital e disrupção televisiva (1995-1999); convergência multimédia (2006-
2013); plataformização (2014-2018); e desinformação e polarização (desde 2019). Com uma
perspetiva histórica e uma reflexão crítica das tendências da última década, este estudo contribui para uma compreensão atualizada sobre as características do sistema mediático português
contemporâneo.
Palavras-chave
Portugal; media; jornalismo; história; periodização.
Sessão 2.3
Um espelho do passivo ao agressivo? Contributos para uma análise da evolução histórica
recente entre audiências e jornalismo
Fábio Ribeiro
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
Resumo
A democratização tecnológica das últimas décadas tem suscitado alguns discursos eufóricos que
sinalizam o potencial técnico como um revulsivo de um papel mais ativo da sociedade em diversas
áreas. No caso dos média, e do jornalismo em particular, se é certo que Neil Postman avançava, nos
anos 1980, que a televisão conduzia ao sonambulismo dos cidadãos, hoje sobram exemplos de
referências teóricas que anteveem grandes possibilidades performativas protagonizadas pelas
audiências (Madianou, 2009; Quandt & Singer, 2009; Kalathil & Boas, 2003).
Neste estudo, pretende-se analisar a forma como as audiências têm sido perspetivadas na sua
relação estreita com o jornalismo, ao longo de uma abordagem histórica recente que compreende
diferentes períodos, entre 1980 até aos anos 2020. Através de uma Revisão Sistemática de
Literatura, coloca-se em prática o protocolo PRISMA para responder à questão inicial de
investigação: de que modo a relação entre o jornalismo e as audiências tem vindo a evoluir ao longo
das últimas décadas?
A partir de filtros específicos, procura-se a consolidação de uma amostra dentro das 20 publicações
científicas com maior impacto no SCImago Journal Rank, com base na avaliação publicada em
maio de 2025. Como grande objetivo deste trabalho procura-se compreender eventuais impactos e
evoluções na relação ontológica entre audiências e jornalismo, ao mesmo tempo em que se procura,
a partir da produção científica nesta área, exemplos concretos que ilustram tentativas de
aproximação entre audiências e jornalistas.
Palavras-chave
Audiências; jornalismo; produção científica; revisão sistemática de literatura.
Hilvanar el maniquí dictatorial. Una propuesta de análisis desde la propaganda visual del
Franquismo y sus lugares de memoria.
Noemi Díaz Rodríguez
Universidad de Oviedo
Resumo
El patronaje de los regímenes del siglo XX floreció en torno a una serie de tácticas mediáticas cuyo
espectro visual ejerció un gran aplomo. La dictadura española recurrió a la disposición de entornos
locales como espacios para la reconducción ideologizada de los denominados ‘lugares de memoria’
por Pierre Nora; sea mediante arquitecturas efímeras o su empleo en calendarios de gran relevancia
en la narrativa histórica anterior y de época.
Más concretamente, el franquismo basó su lógica en la (re)cuperación o (re)conquista de los
territorios españoles durante la Guerra Civil, recurriendo a los de mayor simbología nacionalista
para sus propuestas propagandísticas y destacando, entre ellas, la dimensión asturiana para su
personificación en lo que denominamos como ‘pseudopelayismo’. A partir de esta idea, la
propuesta de comunicación se centra en el vaciado hemerográfico de los medios y sistemas de
comunicación gráfica, analizando la cobertura con la que dieron corporalidad a Francisco Franco
como Caudillo reconquistador, hacedor y benefactor. Estas reseñas asturianas facilitan el análisis
sociocultural del maniquí dictatorial, así como su empleo de la región a conveniencia y, además,
como herramienta fundamental en la elaboración del calado discursivo y adoctrinador ejecutado
desde entonces.
Contributo à construção da história oral do jornalismo esportivo em Portugal: escrevivências
de jornalistas negras
Natália Silva
Universidade Fernando Pessoa & Observatório da Discriminação Racial no Futebol
nataliasilvamp@gmail.com
Sandra de Deus
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Resumo
Observando o perfil dos atores da mídia esportiva portuguesa, é inegável que a grande maioria é
formada por homens brancos. No entanto, segue sendo comum a hesitação em se falar sobre a
desigualdade racial. Em relação às mulheres negras, embora elas tenham conquistado melhorias em
relação ao nível de educação, ainda costumam ser preteridas para vagas de emprego, o que pode
justificar a falta dessas profissionais no mercado. Sendo assim, o estudo tem como objetivo
principal contribuir para a construção de uma história oral da prática do jornalismo esportivo, em Portugal, a partir do testemunho e perspectiva de jornalistas negras. Buscando entender como essas
jornalistas percepcionaram a prática da profissão ao longo do tempo e vivenciaram as mudanças no
setor. A investigação será realizada tendo como base os conceitos da teoria da interseccionalidade e
usará as metodologias da história oral e da escrevivência. Para isso, serão utilizadas entrevistas com
três jornalistas negras, de idades e contextos diferentes. Entendendo que o jornalismo esportivo vai
muito além do futebol, uma das escolhidas trabalhou majoritariamente com automobilismo, outra
com tênis e somente a terceira com o esporte citado. Por ser uma investigação em andamento, ainda
não existem resultados precisos. No entanto, acredita-se que eles mostrem que mulheres negras
podem ter vivências e experiências semelhantes, mesmo que cada uma viva em contextos
diferentes e tenham histórias únicas. Além de demonstrar que o acesso à profissão de jornalista
esportiva e o estatuto profissional e remuneratório foi melhorando ao longo do tempo. Partindo do
pressuposto de que a história oral permite a construção de uma memória nacional mais rica e
evidencia a história daqueles que vivem às margens do poder, é previsto que a investigação
contribua na construção de um jornalismo esportivo mais democrático em Portugal. Além da
normalização de estudos interseccionais realizados por mulheres negras.
Palavras-chave
jornalismo esportivo; história oral; escrevivência; interseccionalidade; história do jornalismo.
Dina Boluarte en su peor hora: escándalo, género y estrategias defensivas en el escándalo de
los relojes Rolex
Pablo Ariel Cabás
Universidade de Lisboa – Instituto de Ciências Sociais
pabloarielcabas@gmail.com
Juan José Flores
UPC - Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas
Resumen
El escándalo por los relojes Rolex que involucró a la presidenta del Perú, Dina Boluarte, ofrece una
oportunidad única para analizar los discursos mediáticos y políticos que emergen en contextos de
crisis reputacional presidencial. Este trabajo propone una lectura del caso desde una perspectiva
comunicacional y pragmática, articulando la literatura sobre estrategias de defensa ante escándalos
(Chanley et al., 1994), los efectos visuales del aislamiento en la percepción de culpa (Von Sikorski
& Ludwig, 2018) y las expectativas de género en la evaluación de políticos implicados en actos de
corrupción (Guidetti et al., 2023). El objetivo central es comprender cómo se construyó públicamente el escándalo y qué efectos tuvo la respuesta de la presidenta y su entorno, que osciló
entre la negación (“es una reliquia”) y el silencio institucional. La metodología se basa en un
estudio cualitativo de caso, con análisis de contenido de declaraciones, portadas de prensa y
narrativas visuales. Los resultados muestran una combinación de encuadres moralizantes y
estrategias de aislamiento simbólico que intensificaron la percepción de ilegitimidad. Se concluye
que el escándalo excede el hecho material de la posesión de objetos de lujo: se activa en la
intersección entre género, discurso político y mediatización, revelando tensiones más amplias sobre
la ética presidencial en contextos de baja legitimidad.
Palabras clave
Escándalo político; Dina Boluarte; estrategias defensivas; mediatización; género.
Sessão 2.4
Entre trauma e autobiografia: o relato jornalístico de Otto Maria Carpeaux sobre o colapso
da Áustria na década de 1930
Mauro de Souza Ventura
Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Resumo
Esta Comunicação tem por objetivo caracterizar e interpretar o envolvimento e o engajamento
jornalístico de Otto Maria Carpeaux (1900-1978) no Estado Corporativo (Ständestaat) durante os
governos Dollfuss-Schuschnigg, da Áustria, no período de 1934 a 1938. Para isso, efetua uma
análise interpretativa da obra Van Habsburg tot Hitler (Dos Habsburgos a Hitler), relato testemunhal
sobre os anos de militância e engajamento do jornalista austríaco-brasileiro no referido período. A
caracterização do envolvimento e da militância jornalística de Otto Maria Carpeaux no Estado
Corporativo (Ständestaat), durante os governos Dollfuss-Schuschnigg, terá como procedimento
metodológico fundamental a análise interpretativa da obra Van Habsburg tot Hitler (Dos
Habsburgos a Hitler), relato testemunhal sobre sua experiência no referido período e que será
estudado a partir dos conceitos de trauma e testemunho. De acordo com Márcio Seligmann-Silva, o
testemunho se caracteriza por ser “uma tentativa de reunir os fragmentos do ‘passado’ (que não
passa), dando um nexo e um contexto aos mesmos”. Mas o passado testemunhado neste livro é o
passado histórico, o que inclui a memória pessoal do sobrevivente Carpeaux, inserindo-se no
conjunto de obras testemunhais escritas por autores que sobreviveram e/ou evocaram as catástrofes
do século XX. Este relato jornalístico configura-se como um testemunho autobiográfico e, como tal,
pode ser definido, conforme assinala Philippe Lejeune, como uma “narrativa retrospectiva em prosa
que uma pessoa real faz de sua própria existência, quando focaliza sua história individual, em
particular a história de sua personalidade”. Otto Maria Carpeaux chegou ao Brasil em 1939 e foi um
dos principais jornalistas brasileiros do século XX e este relato testemunhal foi seu último texto
escrito na Europa. Esta obra, absolutamente desconhecida tanto no Brasil quanto na Europa, foi
escrita e publicada em 1938, quando Carpeaux estava em Antuérpia, na Bélgica, após sua fuga de
Viena, em março daquele ano.
Palavras-chave
História do jornalismo; testemunho; autobiografia; Otto Maria Carpeaux; Áustria, 1934-1938.
Virgínia Quaresma: uma mulher entre o jornalismo e o ativismo?
Carla Cerqueira
Universidade Lusófona, CICANT
Resumo
Virgínia Quaresma foi a primeira jornalista (repórter) portuguesa. Negra, lésbica e abertamente
feminista, atravessou quatro regimes políticos (monarquia constitucional, regicídio, implantação da
República e do Estado Novo) (monarquia constitucional, regicídio, implantação da República e do
Estado Novo), que marcaram a sua carreira enquanto mulher e profissional. Pioneira do jornalismo,
mas também uma das primeiras mulheres licenciadas no país. Fez parte de movimentos feministas e
sempre foi apresentada como defensora de várias causas sociais e políticas (pacifismo, ideais
republicanos, causas operárias, feminismo e dos direitos humanos). Trabalhou em inúmeros órgãos
de comunicação social, desde jornais a revistas femininas, tendo desempenhado cargos de direção.
Foi também uma empresária e uma mulher muito ativa na esfera pública, tanto em Portugal como
no Brasil. Nesta comunicação analisamos criticamente o contributo de Virgínia Quaresma para o jornalismo
em Portugal e para a inclusão das mulheres na profissão, sobretudo de forma profissionalizada.
Partimos das teorias do agendamento e enquadramento para discutirmos a forma como incluiu
temas invisíveis na esfera dos direitos humanos (como por exemplo, trabalho infantil, direito de
voto, divórcio, independência económica no seio do matrimónio, igualdade salarial, violência nas
relações de intimidade) nos seus trabalhos jornalísticos e em meios de comunicação de índole muito
diversa. Ao mesmo tempo, refletimos as interações e contradições entre jornalismo e ativismo com
base no seu trabalho jornalístico e nas entrevistas que concedeu a vários meios de comunicação
social, procurando contribuir para uma discussão que tem sido pouco estudada no seio da história
do jornalismo.
Palavras-chave
Virgínia Quaresma; mulheres; jornalismo; ativismo.
Germano Silva – 70 anos a contar o Porto
Ana Cátia Ferreira
Universidade Fernando Pessoa & ICNOVA
anacatiaferreira@gmail.com
Patrícia Oliveira Teixeira
Universidade Fernando Pessoa & ICNOVA
patriciaoliveirateixeira@gmail.com
Rúben Filipe Sousa Ferreira
Universidade Fernando Pessoa
Resumo
Este estudo procura compreender as motivações que sustentam a longa trajetória profissional de
Germano Silva na produção de narrativas jornalísticas sobre a cidade do Porto, atividade que
desenvolve há quase sete décadas. Sustenta-se na premissa de que o “jogo entre lembrar e esquecer”
(Barbosa, 2007, p. 87) constitui um processo mnemónico essencial para a construção da memória
coletiva (Ricoeur, 2007). Assente numa abordagem biográfica, a investigação analisa como a
prática jornalística de Germano Silva contribui para a preservação e disseminação da história local.
A metodologia é qualitativa, centrando-se em entrevistas semiestruturadas. O biografado é
assumido como a principal fonte de informação, emergindo-se no passado para descobrir
experiências válidas que renovam o presente (Gobbi, 2005). Realizou-se ainda uma segunda
entrevista a André Gomes, o colaborador mais próximo, o que permitiu o cruzamento de perspetivas
intergeracionais., uma vez que são cerca de 60 anos que marcam a diferença de idades. Foram
igualmente analisadas fontes primárias, como obras autobiográficas e documentos de arquivo. Os
resultados evidenciam uma visão romântica e afetiva do jornalismo, entendido como missão e
expressão de amor à cidade. Germano Silva não se assume como historiador, mas como contador de
histórias. A investigação revela que a sua prática jornalística se funde com a própria história
portuense, traduzindo-se num esforço de valorização do património da cidade. Em contexto de
aceleradas transformações sociais e esquecimento coletivo, o seu contributo assume particular
relevância ao procurar despertar o interesse dos cidadãos pela história dos lugares que habitam.
Palavras-chave
Biografia; Germano Silva; Porto; jornalismo.
As mulheres que trabalham na Rádio Nacional de Espanha (ES) e Rádio Antena 1 (PT)
Izani Musyafá
Universidade Federal do Maranhão, campus Imperatriz
Email: izani.mustafa@gmail.com
Daniel Martín Pena
Universidad de Extremadura
Email: danielmartin@unex.es
Resumo
A proposta do artigo tem como perspectiva o estudo de gênero. Inicialmente, pretendemos
identificar e mapear as mulheres que trabalham em duas rádios públicas: Rádio Nacional de
Espanha (ES) e Rádio Antena 1 de Portugal (PT). O percurso metodológico é exploratório e
descritivo qualitativo (Minayo, 2001; Gil, 2002) em sites oficiais das emissoras, a fim de saber se
existem locutoras e/ou apresentadoras, quem são e quais são os tipos de programas que apresentam.
Após esse mapeamento, estamos prevendo a escuta dos programas para verificar se são de cunho
informativo ou de entretenimento, identificar os conteúdos transmitidos e a abordagem dos temas.
Um dos objetivos é dar visibilidade às vozes femininas que estão ativas porque percebemos que os
estudos sobre o rádio no Brasil, por exemplo, sempre valorizaram os homens e os programas que
apresentam. Uma realidade que pode ser a mesma em Portugal e na Espanha. Em geral as
bibliografias narram histórias de homens que inventaram o rádio, fundaram uma emissora,
apresentaram programas tradicionais e aqueles que fizeram e/ou fazem sucesso nas estações onde
trabalham. Por fim, esta pesquisa será um contributo para o projeto de pesquisa em andamento
intitulada “Vozes, memórias e histórias de mulheres nas rádios do Maranhão (1941-2022)”, do
Grupo de Pesquisa Rádio, Podcast e Mídia Sonora no Maranhão, cadastrado no CNPq, do curso de
Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do
Maranhão, campus Imperatriz, cuja líder é essa autora. E vai completar a pesquisa nacional e
coletiva em andamento “A história das mulheres no rádio brasileiro - revisão do relato histórico
(fase 1)”, liderado pela professora doutora Valci Zuculoto, líder do Grupo de Investigação em Rádio
Fonografia e Áudio do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de
Santa Catarina.
Palavras-chave
Rádio; mulheres; gênero; programas de rádio; conteúdos.
Sessão 2.5
A presença da IA na comunicação sob a perspectiva do olhar de estudantes de Publicidade e
de Tecnologia da Informação e o mercado de trabalho
Andréia Magalhães de Oliveira
Universidade Fernando Pessoa (UFP)-Porto/Portugal
Instituto de Educação Avançada (INEA)
olimelo2@hotmail.com
Nivaldo Pereira de Morais Júnior
Universidade Federal de Goiás (UFG)-Brasil
nivaldomorais@gmail.com
nivaldomorais@ufg.br
Manuela Magalhães Macedo Melo
Universidade Federal de Goiás (UFG)-Brasil
manuelamelo@discente.ufg.br
Thaynara Mábille Marques Ribeiro
Universidade Federal de Goiás (UFG)-Brasil
thaynara_mabille@discente.ufg.br
Resumo
A comunicação é o meio no qual o mundo se envolve em vários contextos, e, sem ela não seria
possível a inovação das diversas formas verbal e não-verbal que um ou mais indivíduos usam para
vivenciar, transmitir ideias, trabalhar, ter informações e conhecimentos, conectar com pessoas,
teorias, dentre outras formas de entrosamento humano. Para Rodrigues (2016, p. 34) “a
comunicação constrói uma realidade”, e, é com este olhar que essa pesquisa se debruça e tem como
temática averiguar o contexto da comunicação diante à existência da inteligência artificial (IA) na
perspectiva do olhar de estudantes da Publicidade bem como dos discentes de Tecnologia da
Informação com o objetivo de perceber se esses alunos notam se há interferência no modelo de
comunicação após a chegada da IA para interagirem com o mercado de trabalho. O mercado de
trabalho é um espaço onde a oferta e a procura de mão de obra se encontram, e sob esta ótica,
alunos nessa era de tecnologia se incorporam em um contexto em que o trabalho e a interrelação
com ele se mostra diferente. Metodologicamente essa análise se organizou por meio de investigação
com questionários no modelo online a grupos de estudantes das áreas citadas. Ao final, tanto os
alunos de Publicidade quantos os de Tecnologia da Informação já convivem com essa metamorfose
e entendem que a IA de algum modo influencia as formas de comunicação com o mercado de
trabalho.
Palavras-chave
Comunicação; inteligência artificial; publicidade; tecnologia da informação; transformação.
A existência da IA na atuação do jornalismo esportivo
Andréia Magalhães de Oliveira
Universidade Fernando Pessoa & Instituto de Educação Avançada (INEA)
Resumo
O jornalismo esportivo é um campo de atuação tanto de quem se forma em Jornalismo quanto do
profissional que se gradua em áreas relacionadas à Comunicação Social com habilitação em
Jornalismo com qualificação para comunicar e informar sobre o setor dos esportes. É, portanto, um
ramo de trabalho que acolhe todo tipo de atividade que apresenta, narra, comenta e fala sobre as
variadas modalidades esportivas mundiais. Assim como em todos os espaços de atuação
jornalística, o cenário esportivo do mesmo modo vem se renovando nos modelos de comunicação.
Sob este ângulo, observa-se que igualmente como em outras especialidades destes profissionais
percebe-se a presença da Inteligência Artificial (IA) que segundo Russell e Norvig (2020, p. 7)
“pode ser compreendida como o campo que estuda agentes capazes de perceber o ambiente e agir
sobre ele” especialmente nas redes sociais e na internet com relação à apresentação dos esportes na
sua amplitude. Deste modo, este artigo tem como temática apresentar por meio do olhar do
profissional especializado na área esportiva os movimentos que a IA realiza na interação entre quem
fala sobre esporte e o modo como a comunicação desse profissional se constrói com objetivo de
compreender se essa inteligência em algum momento substituirá esse profissional no futuro.
Entendeu-se que o especialista esportivo será o principal agente mediador nas informações
esportivas ainda que se valha das ferramentas e possibilidades que a IA proporciona à construção da
comunicação.
Palavras-chave
Jornalista; esporte; inteligência artificial; comunicação.
Relação transmidiática do Rádio e o Podcast
Rosangela Stringari
Universidade Federal do Paraná – Brasil
rosangela.stringari@ufpr.br
Luiz Eduardo Alcântara de Paula Souza
Universidade Federal do Paraná – Brasil
Resumo
O avanço tecnológico das últimas décadas transformou radicalmente o consumo de informação,
impactando diretamente o radiojornalismo e impulsionando o crescimento de formatos alternativos,
como o podcast. A digitalização da mídia, a popularização dos dispositivos móveis e a ampla
utilização das plataformas de streaming criaram um ambiente propício para o surgimento e
fortalecimento dos podcasts jornalísticos. Diferente do rádio tradicional, o podcast permitiu maior
flexibilidade na produção e distribuição de conteúdos, ampliando as possibilidades narrativas e
possibilitando o aprofundamento de temas nichados. Este estudo investiga como a evolução
tecnológica levou à consolidação do podcast como uma ampliação do radiojornalismo, analisando
os impactos da convergência midiática e das estratégias transmidiáticas. Baseando-se em autores
como Jenkins (2006), Baccin e Kroth (2018) e Ferraz (2020), a pesquisa contextualiza a
transformação do rádio e as mudanças comportamentais do público na era digital.
Metodologicamente, a pesquisa foi estruturada como uma web-reportagem longform, combinando
revisão teórica, análise de mercado e entrevistas com especialistas como Luciano Potter, Rodrigo
Alves e Gustavo Passi. O estudo também se aprofunda no papel do Jornalismo de Nicho,
explorando como o podcast se tornou uma ferramenta estratégica para atender a audiências
segmentadas. Como parte do processo de pesquisa, foram considerados exemplos relevantes de
podcasts jornalísticos brasileiros, como "Café da Manhã" (Folha de S. Paulo), "O Assunto" (G1)” e "Panorama CBN" (CBN). Essas produções ajudaram a conduzir a investigação sobre os desafios e oportunidades do formato no cenário midiático atual, evidenciando sua relevância para a ampliação do radiojornalismo e para a diversificação do jornalismo digital. Ao compreender o podcast como um fenômeno impulsionado pela revolução digital, este estudo contribui para a reflexão sobre o futuro do radiojornalismo, destacando como as tecnologias e os novos hábitos de consumo estão redefinindo os formatos jornalísticos e permitindo maior diversidade na produção e distribuição de notícias.
Palavras-chave
Podcast; radiojornalismo; convergência midiática; jornalismo de nicho; transmídia.
Serviço Público de Media em transição: missão, valores e desafios em tempos de novas
plataformas
Isabel Correia
Universidade do Minho
isabel.correia@rtp.pt
Aline Veroneze
Universidade do Minho
Resumo
Este estudo tem como tema a evolução do Serviço Público de Media (SPM) no contexto
internacional, com foco nos seus valores, objetivos e desafios face às transformações tecnológicas,
políticas e sociais das últimas décadas. O objetivo é compreender como o SPM se adaptou
historicamente, desde o modelo europeu fundado na tríade reithiana — informar, educar e entreter
— até os novos paradigmas mediados pelas plataformas digitais. A metodologia baseia-se em uma
revisão teórica e histórica de literatura especializada, com ênfase em autores europeus e documentos
institucionais que abordam a construção, consolidação e reformulação do SPM. O estudo adota uma
abordagem qualitativa, de caráter analítico-descritivo, a partir de referenciais teóricos sobre
políticas de comunicação, gestão pública e cultura digital. Os resultados apontam para três
momentos marcantes na trajetória do SPM: o monopólio estatal e paternalista, a convivência
concorrencial com o setor privado, e a transição atual para um modelo de Serviço Público de
Plataforma (SPP). Este último exige a redefinição dos seus valores centrais — qualidade,
diversidade, identidade cultural, independência — incorporando também novos critérios de
avaliação como o envolvimento emocional do público e a criação de valor público. Conclui-se que
o SPM enfrenta o desafio de manter sua relevância num ecossistema mediático dominado por
plataformas globais e lógicas de mercado. Para isso, deve recentrar-se nos cidadãos, tornando-se
mais participativo, transparente e responsivo. A adoção do conceito de valor público surge como
estratégia para legitimar seu papel social e político na era digital, garantindo o cumprimento da sua
missão fundadora em novos contextos de produção, distribuição e consumo de conteúdos
Palavras-chave
História do Serviço Público de Media; Rádio e Televisão Pública; modelos de media na Europa e
EUA; valor público; transformação digital.
Original vs remake: o que mudou a nível temático em Vila Faia
Inês Salvador
Universidade da Beira Interior
Resumo
Vila Faia foi a primeira aposta portuguesa no género telenovela, estreando em 1982. Com um total
de cem episódios, a primeira telenovela lusa foi escrita por Nicolau Bryner e Francisco Nicolson,
contou com a realização de Nuno Teixeira e teve como inspiração as telenovelas brasileiras. Quase
25 anos depois, em 2008, estreou em Portugal o seu remake, o primeiro da história lusa. Esta
investigação visa, assim, responder ao seguinte problema: Como evoluíram as temáticas centrais de
Vila Faia entre a versão original (1982) e o remake (2008)? Que transformações sociais se refletem
nas alterações temáticas identificadas? De forma a responder às questões colocadas procede-se a
uma análise temática comparativa entre as duas versões da trama. O corpus da investigação incide
sobre as sinopses oficiais das duas versões de Vila Faia e sobre a análise do primeiro capítulo,
episódio central e capítulo final das duas versões da telenovela. A análise é feita à luz das seguintes
categorias: identidade nacional; papel da mulher; rural/urbano; problemas sociais; fenómenos
culturais; relações familiares; relações de poder; e estilos de vida (hobbies, preferências e
prioridades). Todas as personagens presentes nos três episódios escolhidos serão analisadas de
acordo com os eixos temáticos definidos. Desta forma, é possível observar a evolução das
personagens na trama e, sobretudo, medir o pulsar das convergências e divergências gerais das
temáticas nas duas tramas. Considerando a responsabilidade social que se associa às telenovelas,
acredita-se que a evolução temática ilustrada nas telenovelas acompanha as mudanças sociais em
Portugal, nos dois momentos. A investigação está em desenvolvimento pelo que ainda não podem
ser apresentados dados e conclusões concretas.
Palavras-chave
Vila Faia; telenovela; orginal; remake.